A tentativa de elevar a arrecadação da Prefeitura de Lauro de Freitas acabou se transformando em uma crise política no início do segundo ano da gestão da prefeita Débora Régis (União)
O reajuste do IPTU, considerado abusivo por moradores e comerciantes, provocou reação imediata, protestos e forte repercussão nas redes sociais.
A pressão cresceu e, em pleno sábado, a prefeita recuou e anunciou, por meio de vídeo, a suspensão da cobrança.
A justificativa foi genérica. Débora alegou apenas “inconsistências no sistema”, sem apresentar dados técnicos ou explicações mais claras.
Nos bastidores, porém, a versão é outra. Segundo apuração da reportagem, a prefeita teria sido orientada pessoalmente pelo ex-prefeito de Camaçari, Elinaldo Araújo, a promover o aumento do IPTU como forma de ampliar a base de arrecadação do município. O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, também teria sido consultado.
Quem conduz hoje a política fiscal da cidade é o secretário da Fazenda Antônio Ricardo Góes, servidor de carreira da Prefeitura de Salvador, o que reforça, no meio político, a leitura de que Lauro passou a adotar um modelo já utilizado por gestões ligadas ao União Brasil na Região Metropolitana.
O recuo da prefeita não encerrou o problema. Milhares de contribuintes já haviam pago o imposto com os novos valores quando a suspensão foi anunciada. Até agora, a Prefeitura não detalhou como será feito o ressarcimento ou a compensação desses pagamentos, nem o prejuízo com a impressão de milhares de carnês que se tornaram inúteis.
O episódio virou o principal desgaste político do início do segundo ano da gestão Débora Régis e expôs uma decisão mal comunicada, mal explicada e rejeitada pela população.












