Um relatório da Polícia Federal (PF) que integra os autos do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) registra que o Instituto de Seguridade do Servidor Municipal de Camaçari aplicou R$ 15 milhões no fundo Sculptor em 21 de novembro de 2017 e levanta a suspeita de que foi pago propina a dirigentes. A aplicação ocorreu na gestão do então prefeito Elinaldo Araújo, hoje no União Brasil e aliado de ACM Neto. A nomeação da direção do órgão cabia ao prefeito.
Os aposentados e servidores que dependem desse patrimônio foram prejudicados. O valor aplicado pertenciam ao instituto responsável pela previdência dos servidores municipais. Segundo o documento, Camaçari teria sido o último cotista a ingressar no fundo, em um momento em que, conforme a análise da PF, já havia conhecimento sobre problemas na carteira e falta de liquidez do investimento. O relatório afirma ainda que o fundo permaneceu fechado para resgates posteriormente.
“Camaçari aportou R$15 milhões no fundo SCULPTOR em um momento em que já se sabia de problemas na carteira do fundo. Foi o último cotista a entrar, tendo o fundo permanecido fechado por falta de liquidez desde então”, diz o relatório, produzido pelo laboratório de tecnologia contra lavagem de dinheiro da Superintendência da PF em São Paulo.
Em seguida, a análise afirma: “inferimos que o consultor MATTEO ofereceu vantagens indevidas aos dirigentes de CAMAÇARI em troca do aporte de R$15 milhões no fundo SCULPTOR”. O relatório se refere a Renato de Matteo Reginatto, sócio da Di Matteo Consultoria Financeira, hoje DMF Advisers.
Segundo a PF, o dinheiro dos servidores não foi usado para comprar ativo algum. A polícia sustenta a hipótese de direcionamento das aplicações com base em documento apreendido na sede da gestora, no qual aparecem municípios e as “respectivas comissões por indicações”.
Comissões aparecem em outro trecho da investigação
Em outra parte do relatório, a PF descreve uma suposta relação entre diferentes personagens e operações envolvendo recursos de RPPS. O documento afirma que Matteo teria direcionado quase R$ 30 milhões de RPPS para o fundo REAG Renda Imobiliária e menciona documentos apreendidos nos quais aparecem referências a comissões que variavam de 2% a 20%.












